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Dorminhoco

Só assuntos sérios. Só quando estou acordado.

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Abril 13, 2018

As causas de Rio

 

Vasco Pulido Valente, numa entrevista concedida ao DNA, em 2001:

DNA - A coligação entre o PS e o PSD podia resolver hoje o atraso de Portugal?

VPV – Vou dizer uma heresia política, mas acho que sim. A única maneira de se fazerem as grandes reformas é um novo bloco central...

 

Rui Rio, esta quarta-feira, em Santa Maria da Feira:

“Colocar o interesse de Portugal à frente é justamente estar disponível para fazer com os outros aquilo que só com os outros consegue ser feito.”

“Os partidos devem entender-se para fazerem um conjunto alargado de reformas.”

 

Continua Vasco Pulido Valente:

VPV – ..., o grande problema é outro.

DNA – Quem o dirige?

VPV – Como é óbvio. Quem será capaz de o dirigir? (...) Precisamos, num sentido figurado, de “homens providenciais”. Os próprios partidos criam cenários para que surjam homens com uma aura de poder, mas os “homens providenciais” trazem sempre grandes causas. A revolução comunista para o dr. Cunhal, a democracia para o dr. Soares, a desmilitarização do regime e o direito da direita a governar para o dr. Sá Carneiro, a regularização económica para o dr. Cavaco. Foram as quatro grandes causas do pós-25 de Abril.

 

Gostava de continuar a sequência e introduzir aqui um excerto de Rui Rio a falar sobre as grandes causas que se propõe a defender. Não é fácil. Sobre a importância de reformas e a utilidade de um bloco central, já vimos que Rio está de acordo com Vasco Pulido Valente. Mas quanto à sua base teórica, o líder do PSD não tem propriamente aberto o jogo. A pergunta permanece: ao que vem Rui Rio exactamente? Qual é a sua “grande causa”? Será ele, no final das contas, um "homem providencial"?